Anvisa estuda ampliar registro de fitoterápicos no Brasil



                                                              Lista proposta pela agência inclui produtos consumidos como alimentos.

Uso popular será levado em conta na formulação de novas normas.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária estuda ampliar a lista de registro para os medicamentos fitoterápicos – aqueles que são obtidos a partir de plantas medicinais. Até o dia 22 de julho, a agência aceitará sugestões da sociedade sobre o tema.

A grande novidade na proposta da Anvisa é a inclusão de uma nova categoria chamada de com os chamados “produtos tradicionais”. Nesse grupo, a agência concederá registro a produtos que ainda não tenham estudos clínicos confirmando a eficácia e a segurança, mas que já sejam consagrados pelo uso popular.

É diferente do que acontece com os medicamentos fitoterápicos. Apesar de compostos por produtos naturais, eles são vendidos em formatos como pílulas ou óleos, e têm que ser submetidos a testes que comprovem a eficácia e a segurança, assim como acontece com os medicamentos alopáticos.

Depois que terminar a consulta pública, a Anvisa voltará a se reunir para discutir as novas normas que vão regular o registro dos fitoterápicos. De acordo com a assessoria de imprensa da agência, a previsão é de que esse texto seja publicado até o fim do ano.

A ideia agradou aos médicos que trabalham com esse tipo de substâncias. “Essa nova flexibilização que a Anvisa fez vem de encontro com nossas crenças e atende a um ponto de vista que defendemos há muito tempo: que o histórico de uso tradicional pode também  ser utilizado como informação de segurança e eficácia dos fitoterápicos”, comentou Alex Botsaris, presidente da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFit).

Fitoterápicos x alimentos

A lista de fitoterápicos proposta pela Anvisa conta com produtos vegetais que podem ser encontrados na cozinha, como alho, gengibre, e guaraná.

Exemplos de alimentos incluídos na lista de fitoterápicos proposta pela Anvisa

“Todos os alimentos de origem vegetal que comemos possuem substâncias químicas que tem potencial de ter uma ação no corpo”, comentou Botsaris, que é clínico geral. “Não dá para chegar para o vegetal e dizer ‘agora você é alimento, agora é fitoterápico’”, completou.
O especialista ponderou que a absorção dessas mesmas substâncias químicas é diferente de acordo com a forma com que elas são ingeridas. No entanto, quando o produto não é preparado para ser um medicamento, algumas moléculas são grandes de mais e não são aproveitadas na digestão.

Por isso, ele não recomenda o consumo de alimentos específicos como um tratamento contra algum mal, embora reconheça que o efeito benéfico seja possível. “Entretanto, sempre uma parte dos ativos é absorvida, mesmo no meio de uma refeição”, garantiu o médico.
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Botsaris deu exemplos de alimentos que, segundo ele, já demonstraram efeitos benéficos para a saúde, embora ainda não constem na lista que a Anvisa submeteu para a consulta pública.

“A soja é usada para problemas da menopausa, a alface era usada para acalmar, a cenoura para ajudar a eliminar vermes, beterraba para anemia, o caqui para problemas de pulmão, a salsa como diurética e assim por diante”, enumerou.

O especialista afirmou ainda que as substâncias químicas presentes nos alimentos podem até causar efeitos colaterais. “Por exemplo, um fitoterápico, que também é um alimento, mas que costuma causar intolerância com uma frequência relativamente grande é o alho”, citou.
“Até a água, que é a substância que ocorre em maior concentração em nosso corpo, em excesso faz mal, e pode estar contraindicada em algumas situações”, completou Botsaris.

Consulta pública

A consulta pública da Anvisa é aberta à sociedade por meio de um formulário disponível na internet que pode ser acessado aqui. Já a lista completa de fitoterápicos de registro simplificado proposta pela agência você encontra neste link.

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